30 dias de Japão: Arigatou, Gozaimasu!!!

Decidimos reservar em nosso sabático um mês integral para viajar pelo Japão, um país com muita história pra contar, vários pontos de referência, templos milenares, beleza natural e comida boa.

A expectativa de viajar sabe-se lá quantas horas de avião e aterrissar em Tokio era gigante, nos sobravam mil-e-um comentários positivos sobre o país. E, mal chegamos, já estamos indo embora. Essa é a sensação que ficamos, o tempo voou. Passados 30 dias estamos deixando a tal terra do sol nascente com o coração apertado. Que país bacana!

Aprendemos por interesse e inércia muitas coisas marcantes nessas 4 semanas. A história japonesa não é um bicho de sete cabeças, conciliar algumas horinhas semanais de wikipedia com visita às principais atrações turísticas é suficiente para pegar o 'big picture'.

Passamos por Tokio, Kanazawa, Takayama, Shirakawa-go, Kyoto, Hiroshima, Nagasaki, Fukuoka, Nagoya e Osaka. Visitamos templos budistas, shrines xintoístas, museus populares e alternativos, parques e jardins, estações de trens mastodônticas, ruas populares e impopulares, feiras típicas e mercados variados; buscamos dissecar a cultura local com energia e paciência. Foi uma experiência e tanto, o Japão tem uma capacidade sui-generis em surpreender.

Apesar dos mil pesares - terremotos, tsunamis, escassez de matéria prima, pouco espaço habitável e guerras devastadoras - eles apreenderam com as dificuldades e levaram o país a um nível de desenvolvimento incrível, bem acima das nossas expectativas, o Japão é primeiro mundo em caixa alta.

Pensamos, pensamos e pensamos antes de chegar a conclusão que nenhum fator isolado explica tal sucesso, mas sim a cultura na qual os japoneses se apoiam, o conjunto de crenças, costumes, hábitos e capacidades adquiridos ao longo de muitos anos, uma história paltada em educação e coletivismo.

Desde sempre os japoneses mantiveram um nível educacional acima da média. Mesmo quando na idade media, ainda organizados em feudos, o alfabetismo e as abilidades matemáticas estiveram sempre acima dos países-referências. O coletivismo é outro fator relevante, os japoneses são grupistas, o país se estruturou em alicerces onde os objetivos mais amplos, da sociedade como um todo, estão na frente dos desejos individuais. Isso faz toda diferença.

Foi nesse contexto que os japoneses deram um salto triplo do feudalismo para um capitalismo de ponta sem dissolver as tradições. Construíram grandes cidades com pragmatismo e planejamento, imensas metrópoles  "overdosadas" de concreto e poluição visual - como São Paulo - mas hiper agradáveis e pra lá de surpreendentes.

Muitas vezes, flanando pelas calcadas perfeitas, nos flagramos com a seguinte indagação: o que é que os japas têm que nós não temos? Melhor deixar isso pra lá...

É quase impossível descrever o que vimos e vivemos no Japao. Lendo um desses pensadores budistas nos deparamos com a seguinte frase, meio piegas, mas contextualizadora: "we cannot explain an orange to someone who has never tasted one. No matter how well we described, we cannot give the direct experience". Abaixo listamos nossos principais destaques, tais pontos tem a impossível missão de compartilhar nossas impressões de 30 dias ininterruptos de Japão.

Arigato, Osaimas!!!

Limpeza e reciclagem. Nem bituca de cigarro ele se permitem, o chão é insuportavelmente sagrado e limpo. E foco total em reciclagem, milhares de lixos seletivos se espalham por todo lado.

Banheiros. 99% dos banheiros públicos estão em perfeitas condições e 100% são gratuitos. Tipo a França! 😉

Vasos hightech. Ainda no quesito 'banheiros', muitos deles são equipados com vasos hightech: água quente ou fria, controlador de intensidade, opção de secagem e sons 'fakes' para disfarçar sonidos mal-advindos.

Vending machines. Espalhadas por todas as esquinas; 24 horas no ar, infinitas opções num super preço justo. Águas, cafés, chás, refris, sucos, leites, etc.

Segurança. Crianças sozinhas em avenidas enormes voltando da escola em Tokio é só um exemplo.

Estações gigantes. Arquiteturas megalomaníacas com absolutamente tudo que se pode imaginar. Partindo de lojas de USD1.99, passando por supermercados gourmet, chegando à lojas de estilistas, Gucci, Celine, etc.

Lojas de 100 yens. Várias espalhadas pelos quatro cantos do Japão: comida, bebida, papelaria, utensílios domésticos, roupas, etc, etc, etc. Destaque pra Daiso, a carro-chefe e premiada com o título 'melhor loja de todas'.

Lockers em todas as estações. Simples como lockers.

Escadas rolantes e/ou elevadores em todas as estações. Estrutura absurda para os deficientes físicos. Tudo minimamente planejado.

Pachinko. Enormes casas de video-game / caça-níquel; barulhentos e esfumaçados de cigarro, lembra muito Cassino. Difícil de entender, impossível de explicar.

Trens. Qualidade, conforto e pontualidade; a velocidade média é recorde e média de atraso é 30 segundos. Parei.

Mockup. As famosas imitações de comidas. No Japão quase tudo tem o seu respectivo mockup. Os japas são viciados nisso. Doces, bolos, sorvetes, sushis, tempuras, etc. Alguns (de tão bem feitos) são de dar água na boca. 

Lawson, Family Mart, Sunkus e 7-eleven. As tais lojas de conveniência japonesas são uma mão na roda, sempre disponíveis; perfeitas para um pitstop a qualquer hora do dia.

Bikes. Impressionante a penetração das bikes no Japão. Vimos de tudo, jovens, pais e mães, avôs e avós, muita gente usando a magrela para ir e vir. Cidades maioritariamente planas, inúmeros bicicletários e calcadas perfeitas incentivam a galera local ao uso diário.

Educação. É incrível o comprometimento alocado em receber o próximo, seja ele local ou turista. Mesmo sem entender uma palavra de japonês, capta-se a doçura alheia.

Premonades. Todas as grandes cidades tem. Ruas cobertas e exclusivas aos pedestres, uma espécie de shopping a "céu aberto", populada por incontáveis lojas, restaurantes, 7-elevens e afins. Perfeito para um dia de chuva, perfeito para um dia de sol. Perfeito.

Comida criativa para todos os gostos. Rico, pobre, preto, branco, ou amarelo, não importa, as opções são i-n-e-s-g-ot-á-v-e-i-s! Comer no Japão é sempre uma deliciosa diversão.

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