Mais luz na cidade luz!

Paris deve ser considerada cosmopolita por inúmeros motivos. Os franceses lideram o ranking do turismo mundial, abrem as portas para artistas do mundo todo como poucos, oferecem acesso à produtos das mais variadas origens e têm imprensa local com cara de internacional; quatro dos infinitos aspectos que somados nos deixam um sentimento de "estamos no centro do mundo".

Em termos gastronômicos, no entanto, notamos uma certa resistência em transferir esse cunho cosmopolita das ruas pro prato. São Paulo, Londres e Nova Iorque, por exemplo, estão anos-luz na frente.

Mesmo assim percebemos uma interessante tendência pra novos conceitos, os franceses estão topando provar outros gostos, novos costumes e culturas estão sendo incorporados. Hamburguerias gourmet, pizzarias e restaurantes asiáticos pouco a pouco ganharam um espacinho da atenção dos franceses e da imprensa local. 

Com o tempo de sobra que tivemos em nossa ultima passagem por lá conseguimos deixar a ansiedade de lado e explorar um pouco esse outro lado. Exige certa paciência e investidas mais longas (leia-se caminhadas) mas abrir a cabeça sempre vale a pena.

Surfamos essa onda sem medo de ser feliz e encontramos boas pedidas, abaixo seguem os destaques:

Le camion que fume, belíssima pedida pra matar a vontade daquele belo hamburgão dos 'states'. A descrição por si só dispensa opiniões. Um food truck californiano em Paris, tocado por uma chef yankee formada em culinária na frança. O foco é preço baixo e produtos nativos de qualidade. Provamos dois hamburgeres e a cole salad da casa. Os sandubas foram os geniais Campagne (champignon, cebola caramelizada e gruyere) e Blue (cebola caramelizada e queijo a-là-gorgonzola). 

Lao Lane xang, situado no bairro chinês (sim, paris tem uma china town), esse restaurante mira e acerta no sudeste asiático. Tailândia, Laos e Vietnan dão cor e forma as inúmeras opções ali servidas. Bom preço e explosão de sabores num ambiente hiper agradável. Nos deliciamos com Nem Lao, pedida que roubamos de outro blog, onde um arroz soltinho, crocante e temperado é complementado por vegetais indecifráveis e carne de porco caramelizada. Simples como um belo puxadinho!  Lao Lane Xang é citado por vários sites e revistas badaladas. Bela dica.

Hokkaido, ótima opção de japonês nas cercanias da Rue Sainte-Anne, região que concentra outros restaurantes do gênero. Esse japa ensina que sintetizar a culinária japonesa aos sushis e sashimis é um baita erro. O foco ali são os pratos quentes, destaques para os domburis (arroz por baixo, carne ou vegetais por cima naqueles bowls japoneses) e para os ramens (pasta ensopada japonesa). Com ambiente  familiar e decoração simples, esse japa concilia como poucos localização, preço e qualidade.

Le Comptoir, um bar de tapas no coração de Saint German. Ele é praticamente invisível aos olhos nus dos milhões de turistas que perambulam diariamente por ali (é pouco notável, apesar de notável!). Uma espécie de cortina japonesa transparente separa os meninos dos homens. Transpor a dita cortina é como um teletransporte para um genuíno bar de tapas catalão. Chistora, queijo manchego, tortilla, jamon ibérico e muito mais. Perfeito pra dar uma quebrada e matar as saudades de barça.

Chez le Libanais, também fica na confusão de Saint German. E a confusão também se faz na hora de descrevê-lo. Uma espécie de buteco que serve comida árabe numa das regiões mais nobres de Paris. Várias pedidas: saladas, mezes, salgados e sandubas, tudo fresquinho ou feito na hora. Destaque pro Charwarma, um primo do kebab com carneiro e/ou carne marinados, tomate, cebola, salsinha e especiarias libanesas. Apesar de apertado e sempre lotadinho, perfeito para um almoço mais ligeiro e econômico.

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