Nippo-Carbonara

Uma pedida que sempre gera certa apreensão é o Carbonara. Mesmo em restaurantes onde qualidade é a lema, o fator 'ovo-cru' as vezes pesa contra e na hora-do-vamos-ver bate aquele arrependimento. Ainda assim, quando na Itália, hora ou outra aflora a vontade de exterminar a fome com um super carbonara. Uma relação na linha amor-e-ódio talvez seja a melhor definição. Em Roma as opções são infinitas, destaques para os servidos nos primorosos Armando al Pantheon e Felice a Testaccio.

Bom, contextualizado o Carbonara, voltamos pro Japão, direto para um momento mastercard...

- Passagem pro Japão: cara
- JR Pass (acesso ilimitado aos trains): pesado
- Hotel em Nagoya: não é barato
- Estar morrendo de fome e encontrar um restaurante japonês popular onde o carro chefe é o nippo-carbonara: não tem preço

Estávamos andando em direção ao Castelo de Nagoya, uma das atrações da cidade, quando vimos de rabo de olho um aglomerado de japoneses na frente de um restaurantesinho daqueles! Popular e pragmático, perfeito para um almoço ligeiro. Sem pestanejar, entramos.

O modus-operandi do restaurante é simples, no estilão bufê: você define a massa desejada, aguarda o seu preparo, passa por uma farta mesa de tempuras, dirige-se ao caixa para os acertos e, por fim, acessa uma mesinha com diversas opções de complemento.

A diversão começa na hora da pedida. Com uma habilidade ímpar o cozinheiro faz tudo na hora. Enfia a massa já pronta em uma máquina toda pomposa; tal máquina recebe a massa em formato de pizza e retorna um espaguete no estilão japonês; com um toco de madeira rústico ele leva a massa ao recipiente de fervura e dali alguns minutinhos escorre o macarrão num coador digno de museu folk; já no ochawan (cumbuca) o mestre cuca quebra um ovo cru sobre o macarrão, aloca uma boa colherada de pollack roe (mini ovas avermelhadas) e outra boa colherada de algas picadinhas e crocantes; por fim salpica um pouco de cebolinha e o prato está pronto. Quer dizer, quase pronto. Antes de ir pra à mesa a tradição pede uma passada rápida na mesinha de complementos. Shoyo, cebolinha extra e casquinha de tempura recém frito. Esse é o Mentei Kamatama Udon, o nippo-carbonara.

Apesar de ser zero-sofisticado, indicamos esse restaurante (que depois descobrimos ser uma rede) sem medo de ser feliz, o contato genuino com a cultura japonesa já basta. Japas de todo tipo, casados, solteiros e tico-tico no fubá, na luta do dia-a-dia comendo uma bela massa pra recarregar as energias.

O nome do restaurante deixamos pra trás, nos restou apenas uma foto do panfleto 100% em japonês (abaixo). Mas ficam as lembranças...



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