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Hanoi despertou mais uma vez o batido e repetido sentimento do nosso interminável mochilão: o mundo é muito doido. Apesar de mil e um alertas sobre o (mal) caráter da cidade, fomos surpreendidos por um facinante buzinaço cultural! A capital vietnamita testemunhou muita história, o que lhe confere a reputação de parada obrigatória quando o assunto é sudeste asiático. E nós testemunhamos em Hanoi muitas coisas boas, alimentamos nossas recordações com experiências indescritíveis que levaremos pra vida toda.
Vietnam é um lugar e tanto por vários motivos: é barato, tem boa estrutura para receber turistas, compreende uma boa parte da história recente (guerra fria) e oferece uma das mais atrativas gastronomia do mundo. Os vietnamitas se mostraram sisudos, meio amargos, carregam no rosto um mix de marra com desconfiança, principalmente os mais velhos, herdeiros da tal herança de guerra; são os mal tratos sem pausas que sofreram por anos e anos, desde a invasão francesa à luta contra os estados unidos. Ainda assim, eles têm bom coração; os jovens esbanjam simpatia, sempre dispostos a ajudar, interessados em fazer da cidade um lugar mais acolhedor.
Usufruímos dessa boa vontade e predisposição quando fizemos um tour pela cidade num esquema bem bacana, onde jovens universitários-voluntarios colocam-se a disposição dos turistas para uma passeio instrutivo pela cidade. A nossa "guia" era uma vietnamita super simpatica e comunicativa; apesar do inglês "noodlerrônico", batemos altos papos. Notamos entre outras coisas o esforço de todos para a escalada social. Pais humildes dando duro-duro para criação dos filhos. E filhos pedalando a subida educacional, escola-universidade-trabalho-renda.
Nosso preparação foi preguiçosa mas divertida. Assistimos um documentário mastigado sobre a guerra e um fizemos um revival de Platoon, alem de algumas empreitadas de wikipedia, assim nos prontificamos à explorar a cidade. Percorremos os principais pontos de Hanoi em caminhadas frenéticas, cheias de atenção. É moto pra lá, bicicleta pra cá e muita gente sentada no meio fio. Nada acolhedor mas ainda assim acostumável.
A visita a prisão foi sensacional, um mix de museu e site histórico que conta com detalhes acontecimentos de dois períodos distintos. Primeiro quando Vietnam era Indochina e o "chef" era francês! E depois quando o vietnam-do-norte deu um rabo de arraia na honra dos yankees. Também curtimos o museu da guerra e seus mil e um aparatos de guerra abatidos e/ou tomados dos americanos. Organizado e bem feitinho, no padrão quase-fifa. E claro não deixamos de visitar o titio Ho Chi Minh, cujo mausoléu foi um presente dos russos! Quer dizer, deixamos sim, o corpo escontrava-se em Moscou para retoques no embalsamento.
Com relação as comidas locais, demos sorte de encontrar algumas boas leituras e videos antes do vamos-ver. Eles nos deram força e apetite para encarar essa pernada sem (tanta) frescura. Matt Moss do NYT (Learning to Love "the people's food" / NYT) e um outro (cujo nome nos foge) do National Geographic (Discover Hanoi Exotic Street Food / You Tube), dois daqueles bons aventureiros que descodificam e compartilham caminhos aparentemente arriscados.
Abaixo alguns dos pontos altos que valem a menção...
Quan An Ngon: o grande problema de Hanoi é conciliar uma comida de rua aparentemente saborosa mas definitivamente arriscada. A solução de Hanoi é o Quan An Ngon. Um lugar perfeito. Já na entrada bate aquela certeza, um salao amplo, lotado e bem arranjado, entornado por diversas tendas de comida, cada uma com seu respectivo expertise gastronômico; decoração hiper bacana (que viemos a descobrir, remete a várias regionalidades) e um cardápio que mais parece uma livro de cabeceira, tamanho o leque de opções; uma espécie de feirinha gastronômica vietnamita onde sanidade não é temor. Saladinhas saborosas? Tem! Panquecas apetitosas? Tem! Saudaveis rolinhos de folha de arroz? Tem! Noodles suculentos? Tem! Fritadas de arroz? Tem! Pasteis de feira? Tem! Sobremesas gelatinosas? Tem! Tiger bem gelada? Tem! O lugar é perfeito-perfeito-perfeito, três vezes perfeito, um para cada uma das nossas três saudosas visitas.
Pho 10 Ly Quoc Su: O Pho é o prato mais famoso do Vietnam, podendo ser consumido a qualquer horário di dia, apesar dos Vietnamitas o preferirem no café da manhã. É uma espécie de canja com noodles de arroz com carne, frango ou peixe, a escolha do freguês. Um molhinho especial de vinagre local com alho fica nas mesas junto com pimenta, limão e (opcional) pão frito. A combinação é uma explosão de sabores que vale a prova. Pho 10 Ly Quoc Su é simples, genuino e confiavel.
Giang Cafe: formatado daquele jeito tradicionalsão, ou melhor, "inho". Mini bancos e mini cadeiras espalhados por 2 andares. As opções são ótimas; o tradicional - mas evitável - eggcoffee, alternativas mais "café-com-leite", chás variados e tudo/muito mais. Destaque pro yogurt com café, pra gente uma novidade. Pra esquecer a calculadora em casa, super econômico. Nativos cafeinados tagarelando, fumando e comendo alpistes regionais conferem o aroma de "eat like a local". Detalhe, wifi supersônico de graça.
Highlands Coffee do museu da guerra: o HC é uma espécie de Starbucks vietnamita, onipresente nos quatro cantos do país. Servem aqueles "cafés" tão pirotécnicos quanto apetitosos. Quanto? Quando? Onde? Quem matou quem? O HC do museu é perfeito para um pitstop digressivo no pós-vista; aquela meia-horinha para ratificar e retificar.

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