Quando Convey nos Convém

O grande barato de "mochilar" são os pequenos acontecimentos do dia a dia que insistem em nos surpreender. Em nossa famigerada passagem pelo Japão novas palavras, idéias e conceitos invadiram nossa rotina, fomos sempre surpreendidos com ineditismos, pequenos pormenores que a conta gotas moldaram nossas lembranças e nos abriram a cabeça.

Uma palavra-conceito que veio para ficar foi 'convey'. Pelas circunstâncias das aparições e insistência em nos cutucar, ela ficou gravada em alto relevo em nossa memória.

As primeiras aparições foram nas visitas aos templos e leituras complementares sobre budismo. A grosso modo convey pode ser traduzido como trazer, levar ou mesmo carregar. Mas é o seu sentido mais amplo que lhe confere o status de palavra onipresente nos ensinamentos budistas. Convey remete a expressar, transmitir, liderar, conduzir e comunicar.

O outro lado de 'convey' é menos nobre mas não menos importante, comida! Conveyor-belt é o termo em inglês para caracterizar os restaurantes cujo modus-operandi são aquelas esteirinhas com variados pratinhos costeando o balcão.

Provamos alguns bons restaurantes nessa linha e destacamos um deles, a grata surpresa que descobrimos em Takayama, cidadesinha turística nas proximidades de Tokio. Seguindo a dica de um mochileiro dono de uma lista de boas pedidas na região, fomos em direção ao conveyor defindo por ele como "tasty-budget food". 

O restaurante é amplo, barulhento e familiar, ornamentado de poluição visual para todo lado - do jeito que o japonês gosta. Mesas que comportam até seis pessoas se perfilam em torno da extensa esteira rolante justapostas em S dando forma a um grande zigue-zague. 

O barato do restaurante é o modo com o qual faz-se os pedidos. Além do tradicional "pega-pratinho", o Hamazushi oferece a possibilidade de pedidos customizados, onde a comunicação entre cliente e sushiman acontece via ipad. Um tablet didático, bilingue, falante e repleto de boas opcões fica a disposição em todas as mesas. Fizemos algumas poucas escolhas no visual, concentrando nossos esforços no tal nippo-ipad - que diversão! 

Diferentemente do conceito com o qual importamos esse tipo de 'japa' pro Brasil, essa bela pedida é tudo, menos sofisticação. Famílias energizam o ambiente e o preço convida os menos abastados. Hamazushi é a união de pragmatismo, efeitos sonoros e visuais, mangás e comida de qualidade. Mais japonês, impossível.

E foi assim, nessas idas e vindas que já nos deixam saudades, que associamos convey ao lado bom da vida, nesse caso as intangíveis energias positivas dos templos budistas e os saborosos pratinhos de sushi e sashimi que provamos por ai...

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