O lado B da vida...

Suiça é um país "três em um": divide-se em regiões de origens alemã, francesa e italiana. Poliglota, a terra do relógio onde tudo é precisão esbanja qualidade de vida e organização. O inverno suíço é inverno-inverno, a altitude e disposição das montanhas trazem ventos que gelam o fundo da alma. E foi nessa época, de passagem para uma estação de esqui, que atracamos em Genebra, grande centro econômico e uma das maiores cidades da Suíça.

Nossa primeira impressão quando pensamos na terra do chocolate é o perfeitamente-perfeito e o caro alem da conta. Também que a organização excessiva, apesar de invejável, deixa a vida muito certinha e por isso sem graça.

Pois bem conseguimos conhecer um lado "B" da cidade, um "B" de Brasil até por que nosso fiáveis guias eram dois brasileiros que já conhecíamos de outros carnavais.

Nosso dia foi mais ou menos assim...

Chegamos no centro lá pelas 5 da tarde e logo saímos para  fazer o reconhecimento do gramado. Notamos de bate pronto uma cidade realmente organizada, com calçadas sem buracos, ruas limpas, enfim, todos aspectos comuns as cidades de primeiro mundo.

Nossa primeira parada foi numa daquelas monstruosas lojas de chocolate. Atraídos pela beleza da vitrine que reluzia placas espessas de chocolates vistosos, entramos sem pestanejar. Renovamos as energias e retomamos o passeio. Mas que passeio? Num passe de mágicas cocheiros viraram cachorros e carros viraram abóboras. Tudo fechado! Saímos da cafe-latteria e não havia mais nada aberto, nenhuma lojinha, zero souviners, nada de H&M, nadica de nada. Em pleno fim tarde dum sábado.

Bom, não nos deixamos abalar e retomamos a caminhada pela beira do lago Lac Leman, admirando a bela paisagem, o contraste da beleza natural com os letreiros de grandes hotéis luxuosos e lojas de grife. 

Sentamos no 'Riverside Bar', um bar descolado e caro escolhido como ponto de encontro por nossos amigos. Pressionados pelo frio, esquecemos a conversão e pedimos duas taças de vinho pra esquentar a alma e fazer o tempo passar.

Chegados nossos guias, partimos rumo ao restaurante do dia, a ideia era conhecer uma autêntica casa-de-fondues. Via um bondinho supersônico atravessamos um par de ruas, saímos do "burburinho" e desembarcamos na fronteira, quase na frança.

O nome dessa casa-de-fondues é Gruyere, denominação que advém da cidade de mesmo nome, uma vila medieval localizada no sudeste da Suiça, famosa principalmente pelo queijo - tcharam! - Gruyere.

Bom, o restaurante não negava a origem, exalava um clima de queijo e lenha que transformavam o local numa sauna a vapor de laticinios campestres. Panelas de Fondue sobre mesas e mais mesas arbitrariamente alocadas num ambiente cheio de madeira e ornamentado com vaquinhas minimalistas davam o tom do salao principal.

Deixamos as pedidas para o casal que jogaram fácil nas especialidades. Começamos a jornada provando a carne seca local que mais parecia o nosso rosbife, tanto no visual quanto no paladar. Na sequência partimos para os fondues! Nos esbaldamos em duas charmosas panelas, uma que mistura dois queijos (que sobram lembranças mas faltam os nomes) e a outra de Gruyere. Os imprescindíveis pãezinhos, crocantes e fresquinhos, acompanhavam o prato. Para encerrar, pedimos a torta de maça com sorvete que selou o jantar em grande estilo. Tudo delicioso! 

(A grande diferença quando olhamos para os fondues abrasileirados é a personalidade do queijo. Os europeus gostam de queijos fortes e provocativos, nós preferimos ser enganados com a versão mais "light".)

Encerramos a noite em um bar suíço totalmente offpist, numa regiao meio cinzenta de genebra. Um bar maneiro tocado por uma brasileira no estilão Patropi. Brasileiros organizando uma noite de musical! A ideia é matar a saudade do brasil falando português, cantando, pintando e bordando! 

E foi assim que provamos uma pitada do outro lado dos helvécios, o tal lado "B" de Genebra, "B" de batuque, "B" de breja, "B" de bossa nova, "B" de Brasil!

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