Singapura, filha da revolução
Três coisas: sede de uma das etapas da formula 1, embrião do modelo de habitacional "copi-criado" pelo imortal P. Maluf e grande centro comercial-portuário; isso é tudo que sabíamos sobre Singapura antes de soltarmos o "terra-a-visita".
Passamos por lá 3 dias. No começo implicamos com o aparente sem-sal que tempera a cidade, mas, como quase sempre, tempo e paciência deram sabor aos nossos passeios, conferindo um balanço positivo à visita. Descobrimos uma cidade literalmente multicultural. Indianos, Chineses, Malaios e Ingleses dão sabor e cor a essência local.
A historia dessa ilha é extensa e complicada. Além de fuçadas no google, fizemos um ótimo tour guiado organizado pelo Museu Nacional que resume os 700 anos de vida de Singapura numa caminhada agradável realizada por voluntários. São 60 minutos de perambulação que valem a pena.
No pique e no relevante? Beleza! Em meados do século XIX os ingleses adotaram Singapura como base marítima para ganhar espaço na rota ocidente-oriente, até então mais que dominada pelos holandeses. Ali se estabeleceram via concessão do malaios criando condições favoráveis em termos comerciais; isso despertou interesse mundo afora estimulando a migração de milhares de pessoas com objetivos comuns: explorar essa oportunidade comercial e desenvolver a região. O que explica por que Singapura conta com zonas características dos grupos que ali se estabeleceram, alem dos malaios, indianos na 'Little India', Árabes na 'Arab Street' e chineses na 'Chinatown'.
Foi nesse contexto que colocamos os pingos nos is; situamos o motivo pelo qual grandes empresas comercializadoras usam Singapura como 'hub' logístico, transformando o porto local em um grande concatenador de produtos mundiais. Basta uma visita ao Market Mustafa para didaticamente comprovar do que se trata. Prateleiras infinitas espalhadas por sei-la-quantos metros quadrados, lotadas de quinquilharias, enlatados, ensacados, eletrônicos e muito mais; mil e um produtos rotulados com as mais variadas línguas e estilos, uma fiel fotografia do que se produz - e se troca - nos quatro cantos do planeta. Da pra dizer que Singapura é o filho primogênito da revolucao industrial.
Vale também ressaltar o papel do estado no sucesso Singapura. A cidade já dotava de uma inquestionável notoriedade no comercio mundial e contou com o oportunismo do atual governo em aproveitar a deixa de uma colonização organizada para elevar Singapura à condição de Tigre Asiático. Ali tudo funciona; ali tudo é simples; ali tudo é pragmatico. A reciproca são investimentos a torto e direito que alimentam um círculo-virtuoso de riqueza. Incrivelmente essa cidade-estado usufrui hoje de uma das maiores rendas per capita do mundo!
Com relação às comilanças, não era de se esperar outra coisa que não uma extensa variedade de opções gastronômicas. Singapura concilia multiculturalidade com padrão de qualidade, o que permite aos turistas explorarem quiosques gastronômicos com aparência questionável sem grandes preocupações. Alias, vimos que os singapurenses são os detentores do título regional de mais-confiavel-comida-de-rua. Que conforto!
Abaixo listamos as três "almoçadas" que deixaram boas lembranças, todas elas em lugares simplórios com ótimo custo-beneficio...
328 Katong Laksa: Chegamos aqui de ônibus, mais de meia hora balagandando na direção oposta ao centro comercial; Chegamos aqui (2) por um blog gringo que o destacou por dois motivos: primeiro pelo dito melhor kulosa da cidade e segundo pela visita e subsequente facinação do pomposo chefe ingles, Gordon Ramsay. Provamos e aprovamos o tal Katong, que nada mais é do que uma boníssima moqueca onde o arroz é bem substituído por noodle. Resultado: uma espécie de moqueca italiana que apelidamos carinhosamente de - tcharam! - moquecarrão.
The Noodle Man: bem localizado na foodstreet da chinatown, atracamos nesse simpático restaurante imantizados por um sentimento de dejavu. Como no supimpa Noodles Bar em Pequim, o mestre-cuca do The Noodle Man prepara na hora - aos olhos dos fregueses, ao vivo e a cores - os longos e finos espaguetes. E não bastasse a pirotecnia da execução, o molho que aconchega o 'handmade-noodle' é fora da curva. Provamos os dois carros-chefes, de bisteca e carne moída de porco! Uma delicia.
Murtabak: humilde restaurante no bairro árabe, localizado em uma simpática esquina bem detrás da mesquita principal. Ligeiramente mal frequentado, orgulha-se (via alarmantes cartazes na fachada) de possuir um dos melhores murtabakes de Singapura. Trata-se basicamente de um calzone arabe, onde uma massa fina, bem temperada e formatada na hora, envolve o recheio. Provamos os dois sugeidos, carne moída bovina e frango, ambos bem feitos e saborosíssimos. Os árabes são bons de garfo, palmas pra eles.
Nota honrosa: essa vai para o molhinho chili dos fast foods. Mcdonalds e Wendys oferecem sem restrições de volume um viciante molho de pimenta local, uma daquelas boas especiarias orientais que dão vida aos previsíveis mas inevitáveis sandubas. Top!

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